Por Tiago Mendonça, em Interlagos
É incrível pensar que o automobilismo sul-americano, de Juan Manuel Fangio e Ayrton Senna, chegou a ficar sem representantes no grid da principal categoria do automobilismo mundial. A “seca” na Fórmula 1 persistiu por quase sete temporadas entre 2018 e 2024 (sem contar, é claro, a participação especial de Pietro Fittipaldi em duas corridas, substituindo Romain Grosjean em 2020).
Mas essa realidade foi transformada nos últimos anos. Primeiro, com as chegadas do argentino Franco Colapinto e do brasileiro Gabriel Bortoleto. E agora, com a presença de mais um piloto do Brasil: no caso, o pernambucano Rafael Câmara, que estreia pela Haas neste fim de semana, correndo em casa no GP de São Paulo. Este é o maior número de sul-americanos no grid em mais de dez anos.
A última vez que a América do Sul alinhou três pilotos no grid foi em 2015, com os brasileiros Felipe Massa e Felipe Nasr, além do venezuelano Pastor Maldonado. Nesta quinta-feira, 5, em Interlagos, Gabriel Bortoleto valorizou a chegada do compatriota à Fórmula 1 e mandou um recado para Rafael Câmara, que fará sua estreia de forma um tanto repentina no topo do automobilismo – ele foi confirmado apenas nesta semana.
“Eu falei com ele quando foi anunciado para o ano que vem. Mas nessa semana eu não falei porque, cara… imagino como está maluca a vida dele, caindo de paraquedas”, comentou Bortoleto. “Ele tem uma boa cabeça, não precisa de conselho. Mas se eu posso dizer alguma coisa é que ele seja grato pela oportunidade, que aproveite, porque correr em casa, na Fórmula 1 é uma oportunidade incrível”.
O próprio Bortoleto relembrou as dificuldades que ele mesmo viveu no ano passado, correndo pela primeira vez em Interlagos. “Foi um final de semana em que eu aprendi a lidar com as minhas emoções”, falou Bortoleto. “Foi a primeira vez em muitos, muitos anos que eu tomei decisões e atitudes por emoção e não por razão quando eu estava dentro de um carro de corrida a 300 km/h”.
Gabriel se refere principalmente ao acidente forte que sofreu no sábado, na corrida sprint. “Quem me conhece sabe que eu sempre soube onde e quando tomar risco. E eu não estava lutando por pontos, tomei a decisão de fazer uma ultrapassagem no final da sprint, antes da classificação, causando aquele acidente. Então, ali foi uma lição de como lidar com as minhas emoções”.
O piloto brasileiro chega a Interlagos motivado pelos pontos marcados no GP da Cidade do México, onde foi o oitavo colocado depois da punição aos pilotos da Alpine, Pierre Gasly e Franco Colapinto, e a Oscar Piastri, da McLaren. Bortoleto agora tem 14 pontos, um a mais do que o companheiro de equipe Nico Hülkenberg. Curiosamente, no Mundial de Construtores a disputa da Audi é com a Haas.
A equipe alemã soma 27 pontos, enquanto a norte-americana tem 31. A briga é pelo sétimo lugar e pode representar cerca de US$ 10 milhões a mais ou a menos em premiações, dependendo do resultado de cada um dos times. Tanto a Haas quanto a Audi perderam rendimento ao longo do campeonato e não vivem, neste momento, uma fase de disputar pontos com regularidade.
Lá na frente, a disputa pelo título Mundial de Construtores está bem próxima de ser encerrada. A Mercedes precisa de uma vitória e de um quarto lugar para encerrar matematicamente a disputa, três rodadas antes do fim do campeonato. Os treinos livres para o GP de São Paulo começam nesta sexta-feira, 6. A corrida está marcada para domingo, 8, às 14h, com transmissão ao vivo da Globo.
Legenda: Gabriel Bortoleto
Foto: Audi

