Por Járcio Baldi
A Aprilia fez a dobradinha na MotoGP do Brasil, com Marco Bezzecchi e Jorge Martin. A VR46 fechou o pódio com Fabio Di Giannantonio. Foi a quarta vitória consecutiva do Italiano (as duas últimas provas de 2025 e as duas primeiras de 2026) colocando-o no seleto grupo de pilotos que já o fizeram – Rossi, Marc Marquez, Jorge Lorenzo e Pecco Bagnaia. Bezzecchi agora lidera o Mundial com 56 pontos, onze a mais que seu companheiro de equipe, Jorge Martin que aparece em segundo.
“Considerando o inicio na sexta-feira, eu não esperava sair do Brasil com uma vitória, mas trabalhamos muito duro nos boxes com a equipe para ajustar tudo na minha pilotagem e na moto, e tentar encontrar a combinação perfeita para melhorar. No sábado, eu estava nervoso com a classificação porque tive que passar pelo Q1, mas felizmente no Q2 consegui largar na primeira fila do grid, o que foi crucial. Na prova Sprint eu não era rápido o suficiente para brigar pelo pódio, mas tentei continuar aprendendo o máximo possível para seguir melhorando, para o domingo e fiquei muito feliz com o resultado da corrida” afirmou Bezzecchi.
A corrida em Goiânia foi marcada por alguns problemas na pista. No sábado, ao final do treino da Moto3 abriu um buraco na reta dos boxes, atrasando a Sprint e adiando para o sábado a qualificação da Moto2. No domingo a prova teve a quantidade de voltas diminuída de 31 para 23 voltas devido a um problema no asfalto nas Curvas 11 e 12, que estava se soltando. Muitos pilotos terminaram a prova com vários hematomas no corpo, braços e mãos, devido às pedras que voavam das motos à frente.
A direção de prova decidiu pela diminuição no número de voltas apenas cinco minutos antes da largada, fazendo com que grande parte dos pilotos não tivessem tempo em alterar suas estratégias para a corrida, assim como a escolha do tipo de pneu a ser utilizado. Franco Morbidelli foi um dos prejudicados pelo encurtamento da prova, já que o rendimento de sua moto melhora na segunda parte da prova. “Nessas duas corridas, no inicio fica difícil para eu fazer as curvas e inclinar mais a moto, essas oito voltas que foram removidas fizeram falta para nós. Certamente eu conquistaria umas três ou quatro posições. Em Austin teremos um tipo de pneu diferente e espero que possamos melhorar o desempenho já desde o inicio da prova”. “A opção por um pneu macio para 23 voltas era uma opção bastante viável para poder chegar mais à frente, mas não tivemos tempo hábil para a troca”
Diogo Moreira disse que a energia do público o motivou bastante. Mais uma vez o brasileiro terminou em 13º, marcando pontos em suas duas primeiras corridas na categoria e mostrando uma forte evolução. “Estou muito feliz. Ver o público hoje foi incrível, estavam muito entusiasmados e isso motivou-me bastante. A corrida não foi má, apesar da largada ter sido desastrosa. Eu tinha ritmo para lutar pelo top 10, talvez entre o quinto e o décimo lugar, mas aqui é muito difícil ultrapassar”, explicou.
A imprensa européia criticou muito a realização do evento com as condições do asfalto. Alguns foram mais radicais dizendo que não deveriam nem ter acontecido o GP sob tais condições. Outros criticaram a forma como as voltas foram tolhidas, sem dar tempo às equipes para mudarem as estratégias de corrida. Já o chefe da Equipe Trackhouse-Aprilia, Davide Brivio, disse que o GP de Goiânia não esteve à altura da MotoGP.
Já nesse final de semana acontece o GP de Austin, e a VR46 apresentou em Nova Iorque uma pintura especial para a prova texana, com o desenho de Aldo Drudi, famoso por caracterizar os capacetes de Valentino Rossi.
Legenda: Marco Bezzecchi no Brasil
Foto: Jarcio Baldi

