Por Tiago Mendonça
Como tradicionalmente acontece, o GP do Azerbaijão, disputado no sábado, 26, foi completamente transformado pela intervenção do safety-car. Tudo mudou quando Alexander Albon atingiu a barreira de pneus na curva 5, faltando 20 voltas para o final, e trouxe as bandeiras amarelas.
Naquele momento, o líder George Russell tinha vantagem de 11s2 sobre o segundo colocado, Oscar Piastri. A corrida estava praticamente ganha. O reagrupamento do pelotão, no entanto, reabriu a disputa. E a partir da relargada, a ameaça trocou de nome e sobrenome.
Max Verstappen ultrapassou Oscar Piastri na freada da primeira curva e assumiu a segunda posição. E se alguém tinha ritmo para pressionar Russell nas voltas final, esse alguém certamente era Verstappen. Ele se manteve próximo ao piloto britânico, pronto para aproveitar qualquer oportunidade.
E ela veio na última volta, quando Valtteri Bottas bateu na curva 15, no final do segundo setor. Os pilotos tiveram de reduzir a velocidade ao passar pelo ponto do acidente e, com isso, Russell não conseguiu regenerar energia suficiente para a entrada da longa reta de Baku.
Verstappen se aproveitou, grudou no vácuo do adversário e apostou tudo na última tentativa. Os dois cruzaram a linha de chegada separados por apenas 0s196, mas ainda com Russell à frente. Foi a chegada mais apertada da temporada e a mais apertada desde Ayrton Senna e Nigel Mansell em Jerez de la Frontera, em 1986.
Naquela oportunidade, os dois primeiros chegaram separados por apenas 0s014. O recorde absoluto ainda é a vitória de Peter Gethin sobre Ronnie Peterson no GP da Itália de 1971, em Monza: 0s010. O resultado acabou sendo justo diante de um fim de semana dominado por Russell.
Ao fazer a pole position, liderar a corrida de ponta a ponta e ainda registrar a melhor volta da prova, Russell alcançou seu primeiro “Grand Chelem”, um feito tão difícil que até hoje só 29 pilotos conseguiram. Em toda a história, há mais campeões do mundo (35) do que autores de Grand Chelem.
“Aquele trecho final acho que foi o mais divertido que já tive em uma corrida de F1”, resumiu Russell. “Eu podia sentir ele fungando no meu pescoço e, de repente, era como volta de classificação, uma atrás da outra. O ritmo era tão alto que estávamos tirando um segundo por volta de todo o grid. Foi uma supercorrida”.
O GP do Azerbaijão também ficou marcado pelos múltiplos acidentes da relargada da volta 36. Franco Colapinto errou a freada e acertou, de uma vez só, o companheiro de equipe Pierre Gasly e Lando Norris, que brigavam pela sétima posição. Colapinto se desculpou imediatamente, mas a equipe ficou furiosa.
Norris chegou a dizer que Colapinto “não deveria estar na F-1”, mas posteriormente se arrependeu e se desculpou. Em um enrosco semelhante, no mesmo momento, Arvid Lindblad também arrebentou com a corrida do parceiro Liam Lawson. O brasileiro Gabriel Bortoleto acabou em 15º.
Legenda: George Russell comemora em Baku
Foto: Florent Gooden / DPPI

