O mercado brasileiro de veículos premium encerrou maio de 2026 com 3.934 emplacamentos, praticamente estável frente a abril (3.945, -0,3%) e queda de 9,6% sobre maio de 2025 (4.352). No acumulado do ano, o segmento soma 19.425 unidades, retração de 5,4% sobre o mesmo período de 2025 (20.528). Os números seguem em território negativo, mas o comportamento de maio sugere que o segmento começou a encontrar um piso após meses de retração mais intensa. Uma possibilidade para esta redução está na procura de veículos chineses eletrificados em substituição aos seus veículos de marcas premium.
O efeito calendário ajuda a contextualizar o resultado. Maio e abril tiveram o mesmo número de dias úteis (20), enquanto maio de 2025 contou com 21. Com isso, a média diária ficou em 197 unidades em maio, idêntica a abril e abaixo das 207 de maio do ano passado. Mesmo após ajuste de calendário, a queda anual persiste — mas o ritmo de deterioração desacelerou frente ao registrado em abril (-11,5% sobre a base anual).
Canais: venda direta volta a crescer no ano, showroom segue em queda
Em maio, o showroom registrou 2.850 unidades (72,4% do total) e a venda direta, 1.084 (27,6%) — distribuição praticamente idêntica à de abril. Na comparação com maio de 2025, o showroom recuou 15,0% enquanto a venda direta avançou 8,3%, comportamento oposto entre os dois canais.
No acumulado do ano, a divergência se mantém: o showroom soma 13.919 unidades, queda de 8,4% sobre 2025; a venda direta chega a 5.506, alta de 3,2%. A participação da venda direta no acumulado sobe para 28,3%, contra 26,0% em 2025.
São Paulo seguiu liderando com folga, agora com 1.587 unidades e 40,3% de participação — concentração ainda maior que a de abril (41,9%, ajustada ao novo total). Na sequência aparecem Santa Catarina (371 — 9,4%), Paraná (330 — 8,4%), Rio de Janeiro (272 — 6,9%) e Minas Gerais (251 — 6,4%). Apenas SP responde por 4 em cada 10 emplacamentos premium do país, confirmando a concentração geográfica característica do segmento.
Mix: SUVs avançam e chegam a 67,8% do premium em maio
Os SUVs ampliaram fortemente sua dominância no segmento, respondendo por 67,8% do mercado premium em maio, acima dos 66,9% de abril e muito acima dos 54,5% de maio de 2025. Sedãs ficaram em 14,9% (vs 16,8% em abril e 18,9% em maio 2025), em retração estrutural. Crossovers e hatchbacks somados representaram 12,3%, queda relevante frente aos 18,6% de abril e 22,4% de maio de 2025 — movimento de migração consistente para SUVs.
Coupês e roadsters mantiveram participação estável em 4,8%, segmento que segue resiliente em seu nicho específico.
Eletrificados: estabilização após meses de crescimento acelerado
Os eletrificados premium somaram 2.097 unidades em maio, equivalentes a 53,3% do mercado premium total — patamar que confirma o premium como o segmento mais eletrificado do país. O volume, porém, ficou praticamente estável frente a abril (2.191) e a maio de 2025 (2.185). No acumulado do ano, os eletrificados premium somam 10.402 unidades, alta marginal de 1,4% sobre 2025 (10.263).
Distribuição por powertrain em maio:
PHEV: 887 unidades (42,3%) — destaque: Denza B5 com 332 unidades (37,4% dos PHEVs)
MHEV: 618 unidades (29,5%) — destaque: BMW X3 com 227 unidades (36,7%)
BEV: 476 unidades (22,7%) — destaque: Volvo EX30 com 179 unidades (37,6%)
HEV: 116 unidades (5,5%) — destaque: Lexus NX350H com 58 unidades (50,0%)
Entre os não eletrificados, o modelo mais vendido foi o BMW X1, com 397 unidades (21,6% dos ICE).

