Por Tiago Mendonça
Estrear na Fórmula 1 no lugar de ninguém menos que Lewis Hamilton não é para qualquer um. Que o diga Andrea Kimi Antonelli. O jovem prodígio italiano resolveu abrir o coração e contou como sofreu com a pressão durante sua temporada de estreia, em 2025. Segundo o piloto, a cobrança pesou tanto que ele sentiu que a pressão chegou a “destruí-lo”, mas garantiu que a experiência serviu como um grande aprendizado.
A oportunidade de ouro veio quando a Mercedes decidiu apostar tudo no garoto para ocupar a vaga deixada por Hamilton, que partiu para a Ferrari. Antonelli, que viveu uma ascensão meteórica nas categorias de base ao pular direto da F4/FRECA para a F2 (sem nem passar pela F3), começou o ano voando. No entanto, a fase europeia do campeonato acabou virando um pesadelo, e o italiano sentiu que estava decepcionando todo mundo que apostou no seu talento.
Em conversa no podcast Significant Figures, da SAP, o piloto de 19 anos relembrou o momento crítico e não escondeu a vulnerabilidade. “Acho que senti isso principalmente no ano passado. Obviamente, tive um bom início de temporada e depois passei por um período difícil, a temporada europeia, onde realmente sofri. Naquele momento deixei a pressão meio que me destruir, porque sentia que estava decepcionando muitas pessoas que tinham acreditado em mim — especialmente o Toto [Wolff], porque ele foi o principal responsável pela decisão”.
A virada de chave só veio depois de uma “DR” sincera com a equipe de engenheiros e chefia da Mercedes logo após a perna europeia do ano passado. “Eu não me sentia bem, mas aí tive uma grande reunião com a equipe depois da temporada europeia, e isso meio que me permitiu dar um reset e simplesmente começar de novo. Aos poucos fui reencontrando meu caminho e tive uma boa segunda metade de temporada. Conseguir superar aqueles momentos difíceis me deu a confiança que tenho este ano. Também me fez aprender muito sobre mim mesmo, não apenas como piloto, mas como pessoa”.
Questionado sobre o que exatamente aprendeu nesse processo doloroso, Kimi deu risada e mandou a real sobre a fase ruim. “Naquela temporada europeia, a maioria das coisas que fiz não me ajudou em nada! Mas também aprendi sobre como meu corpo responde a esses momentos, como meu cérebro reage, o que me ajuda a voltar para o foco certo, para a mentalidade correta… O que me ajuda a ficar 100% em termos de energia durante todo o final de semana, então como me gerenciar com os compromissos, com a pilotagem e tudo mais. Então aprendi muito sobre mim mesmo e sobre como responder aos momentos difíceis”.
A maratona de aprendizado em 2025 foi tão intensa que o garoto admitiu ter terminado o ano no limite de suas forças, completamente exausto. “Sinto que, obviamente, a equipe fez um trabalho incrível tentando me proteger, mas a curva de aprendizado… acho que aprendi muito mais do que se estivesse em uma equipe menor. Senti que a curva de aprendizado foi incrível — pareceu que fiz três anos em um só, e foi bem esmagador, física e mentalmente, porque passei por muitas experiências novas ao mesmo tempo.”
A ressaca da estreia, no entanto, ficou totalmente para trás. Depois do batismo de fogo e do processo de amadurecimento, Antonelli engatou uma fase espetacular em seu segundo ano na categoria máxima do automobilismo, dominando o grid e fincando o pé no topo da tabela. É o líder do campeonato com seis vitórias e 50 pontos de vantagem sobre o vice-líder, Lewis Hamilton.
Legenda: Hamilton e Antonelli
Foto: Jiri Krenek/Active Pictures

