Por Tiago Mendonça
Postergado no início do ano por conta da guerra entre Estados Unidos e Irã, o GP do Bahrein finalmente terá um lugar no calendário da Fórmula 1. Mas vai ser de um jeito bem diferente: por conta das incertezas e tensões geopolíticas no Oriente Médio, a prova será realizada na Malásia.
A decisão de transferir geograficamente a realização do evento, mantendo o nome, os patrocinadores e os direitos do país de origem, é um dos movimentos políticos, logísticos e diplomáticos mais surpreendentes da história recente da F-1, além de uma reação inteligente ao esvaziamento do calendário.
Vale lembrar que além do GP do Bahrein, a corrida da Arábia Saudita também foi postergada em abril (sem previsão de substituição) e as etapas do Catar e de Abu Dhabi, que encerram o campeonato, estão em risco.
O retorno do icônico Circuito Internacional de Sepang, na Malásia, está marcado para o dia 4 de outubro de 2026, como 16ª etapa do campeonato. A prova será encaixada entre os Grandes Prêmios do Azerbaijão e de Singapura, graças ao acordo emergencial viabilizado pela F-1, FIA e governos do Bahrein e da Malásia.
“Diante dos desafios regionais contínuos, o Bahrein se orgulha de permanecer como um pilar de estabilidade para a Fórmula 1. Faremos tudo ao nosso alcance para garantir uma corrida memorável para todos os envolvidos”, comentou o príncipe herdeiro e primeiro-ministro do Bahrein, Salman bin Hamad Al Khalifa.
O primeiro-ministro da Malásia, Dato’ Seri Anwar Ibrahim, celebrou a confiança depositada no país asiático para sediar a etapa internacional. “Esta colaboração vai muito além da realização de um evento esportivo de classe mundial. Ela reflete a amizade duradoura, a confiança mútua e a parceria estreita entre a Malásia e o Reino do Bahrein, ao mesmo tempo em que reafirma nossa prontidão e capacidade operacional para sediar grandes eventos internacionais”.
Projetado pelo renomado arquiteto alemão Hermann Tilke e inaugurado no calendário da F1 em 1999, o circuito de Sepang é aclamado por pilotos, engenheiros e torcedores como um dos traçados mais completos, técnicos e desafiadores do planeta.
Conhecido por suas retas extensas, curvas de alta velocidade, calor escaldante e tempestades tropicais imprevisíveis, o circuito não recebia a categoria máxima desde 2017. Stefano Domenicali, presidente da Fórmula 1, comemorou o anúncio e enfatizou a versatilidade e capacidade de resposta da categoria.
“Mais uma vez, o esporte demonstrou sua capacidade de se adaptar, encontrar soluções e entregar resultados excepcionais. A Malásia é um país incrível, e Sepang ocupa um lugar especial na história da Fórmula 1. Será um cenário espetacular para as corridas e uma experiência inesquecível para os fãs ao ao redor do mundo”.
O Presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, também reiterou o esforço conjunto e o compromisso incondicional com a segurança. “Trabalhamos incansavelmente para explorar as opções disponíveis, mantendo a segurança e o bem-estar das equipes, voluntários e torcedores como nossa maior prioridade”.
Legenda: Antonelli e Hamilton na Hungria
Foto: Clive Mason/Getty Images

