Os destaques da semana são os dados de transações correntes no Brasil e os desdobramentos do conflito no Oriente Médio
📌 Destaques da semana:
No Brasil, o principal destaque da agenda econômica será a divulgação dos dados de Transações Correntes para o mês de março. A expectativa é de algum efeito positivo do aumento do preço do petróleo no setor exportador brasileiro, levando o saldo na balança comercial a US$ 5,7 bi no mês. Nas demais contas, esperamos déficits nos serviços (- US$ 4,5 bi) e na renda (- US$ 9,8 bi), totalizando saldo negativo das transações correntes em US$ 8,5 bi. Já o Investimento Direto no País (IDP) deve registrar alta de US$ 5,7 bi no mês.
No cenário internacional, o destaque da semana são os desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Após avanço das conversas entre EUA e Irã na semana passada, com reabertura do canal de Hormuz, levando a redução dos preços do petróleo, as tensões voltaram a se elevar no último final de semana com novo fechamento do canal. O tema deve dominar as atenções numa semana com a agenda de dados mais limitada. Do lado dos dados, nos EUA serão divulgados as expectativas de inflação da Universidade de Michigan de abril. Além disso, as vendas no varejo de abril com expectativa de alta de 1,3%, a sondagem industrial do Fed de Kansas e os PMIs de serviços e da indústria completam a semana.
Brasil – Inflação:
IPCA
- A projeção de inflação atualizada para este ano é de 4,6%.
- No curto prazo, nossas projeções atualizadas para abril, maio e junho são 0,64%, 0,30% e 0,40% respectivamente.
- IGP-10: A alta de 2,94% do indicador de abril veio acima do esperado (2,73%). Tanto o IPA agro (3,81%), quanto o IPA industrial (4,31%) registraram elevação. Além disso, o IPC e o INCC também tiveram altas de 0,88% cada um. • IGP-M: A alta de 2,64% do indicador da 1ª prévia de abril veio mais forte do que o esperado (2,48%). Tanto o IPA agro (1,76%), quanto o IPA industrial (3,96%) registraram elevação. Além disso, o IPC e o INCC também tiveram altas de 0,82% e 1,01%, respectivamente.
Brasil – Taxa de Juros: SELIC
- Inflação FOCUS: As medianas das expectativas de inflação no Focus para 2026 registraram nova alta, passando de 4,71% para 4,80%. Para 2027, a mediana das expectativas também aumentou, de 3,91% para 3,99%. Para 2028 e 2029 as expectativas ficaram estáveis em 3,60% e 3,50%, respectivamente.
- Selic FOCUS: A mediana das expectativas para a Selic em 2026 aumentaram de 12,50% para 13,00%. Houve aumento também para 2027, de 10,50% para 11,00%. Para 2028 a taxa permaneceu inalterada em 10%. Já para 2029, também houve aumento, de 9,75% para 9,88%.
Brasil– Atividade Econômica
- PMC (fev/26): O varejo cresceu 0,6% m.m. (série com ajuste sazonal), renovando o recorde da série. No varejo ampliado, a alta foi de 1,0% m.m.. Apesar de fevereiro/26 ter tido 2 dias úteis a menos que fevereiro/25 (o que tende a “puxar para baixo” as métricas a.a.), a leitura na margem reforça que os componentes mais cíclicos do consumo vêm ganhando tração no início do 1º tri, revertendo o padrão do fim de 2025, quando a atividade dependia mais de itens menos cíclicos.
- PMS (fev/26): O volume de serviços variou +0,1% m.m. (com ajuste sazonal). Mesmo com o efeito de menos dias úteis afetando a comparação a.a., o dado sugere resiliência do setor no começo do ano, com os segmentos mais ligados ao ciclo – com destaque para os serviços prestados às famílias – ajudando a sustentar a atividade no 1º tri.
- IBC-Br (fev/26): O IBC-Br avançou 0,6% m.m. (ajuste sazonal), com contribuição de agro (+0,2%), indústria (+1,4%) e serviços (+0,2%). A leitura reforça a melhora do pulso da atividade no 1º tri, com maior participação de componentes cíclicos (especialmente indústria/serviços), ainda que a comparação a.a. esteja contaminada pelo fato de fevereiro/26 ter tido 2 dias úteis a menos que fevereiro/25. O carregamento estatístico sugere crescimento de 1,4% para o IBC-Br no primeiro trimestre de 2026.
Cenário Externo
- PPI: A inflação ao produtor nos EUA teve alta de 0,5%, refletindo os efeitos conflito no Oriente médio sobre os preços de energia. Contudo, o núcleo teve comportamento mais benigno com alta de 0,1%, ficando levemente abaixo do esperado (0,3%).
- Produção Industrial: O resultado em queda de -0,5% em março surpreendeu o mercado que esperava alta de 0,2%. Na direção contrária, houve revisão altista em fevereiro de 0,2% para 0,7%.
- Sondagem Industrial: O índice atual de difusão da atividade subiu para 26,7 em abril, ante 18,1 em março. Já o indicador para o futuro subiu para 40,8 em abril, ante 40,0 em março. 56,5% dos entrevistados esperam um aumento na atividade geral dos negócios, e 15,7% esperam uma diminuição nos próximos seis meses.
- NFIB: O Índice de Otimismo para Pequenas Empresas da NFIB caiu 3,0 pontos em março, para 95,8, situando-se abaixo da média de 98,0 dos últimos 52 anos. A última vez que o Índice de Otimismo caiu abaixo da média histórica foi em abril de 2025. O Índice de Incerteza subiu 4 pontos de fevereiro, chegando a 92, bem acima de sua média histórica de 68.
- NAHB: A confiança da construção registrou 34 pontos em abril, abaixo do esperado (38) e arrefecendo em relação ao mês anterior (38).
- China: Os dados de crescimento no 1° tri mostraram altas acima do esperado. O PIB cresceu 5% ante expectativa de 4,9% e acelerando em relação ao último tri de 2025 (4,5%). A produção industrial (5,7%) e as vendas do varejo (1,7%) também surpreenderam para lado altista. Por fim, o banco central chinês (PBOC) manteve as taxas de juros inalteradas.

