Por Tiago Mendonça
A Fórmula 1 concluiu na sexta-feira, 20, os seis dias de testes de pré-temporada, divididos em duas semanas no Bahrein. Foi a real oportunidade que as equipes e pilotos tiveram de experimentar os novos carros e motores, profundamente modificados pelo regulamento de 2026.
Entre as novidades, estão a aerodinâmica ativa (asas traseira e dianteira abrem nas retas, fechando-se para as curvas), pneus mais estreitos, carros mais leves e, principalmente, o aumento da relevância do motor elétrico, que agora entrega quase a metade dos mais de 1000 CV de potência (470 CV).
Neste cenário, quem se apresentou melhor foi a Ferrari, que foi a mais rápida dos testes. Charles Leclerc foi o único piloto a registrar tempo na casa de 1min31s992, utilizando um composto C4 (um dos mais rápidos da gama oferecida pela Pirelli) e ficou quase 1s à frente de todo mundo.
Vale lembrar que a Ferrari já havia sido a mais veloz também no shakedown em janeiro em Barcelona, na Espanha (naquela oportunidade, com Lewis Hamilton).
O segundo melhor tempo no Bahrein ficou com Andrea Kimi Antonelli, da Mercedes, que virou 1min32s803 na quinta-feira, 19. Na sequência, aparecem Oscar Piastri e Lando Norris (McLaren), Max Verstappen (Red Bull), George Russell (Mercedes) e Lewis Hamilton (Ferrari), completando os oito melhores.
Embora os tempos de volta não tenham grande representatividade em testes, com as equipes utilizando diferentes ajustes e conduzindo programas distintos ao longo das atividades, a Ferrari se destacou pelas inovações apresentadas, que podem se benéficas para o time ao longo do ano.
A começar pela asa traseira móvel, que apresenta um movimento de rotação de 180 graus, solução totalmente diferente daquela utilizada pelas demais equipes. Os motores do time italiano também chamaram atenção, principalmente nas simulações de largada.
Os carros equipados com a unidade de potência híbrida Ferrari 067/6 parecem ser os menos afetados pelo “turbo lag”, o atraso entre aceleração e a entrega da potência em modelos turbo. Não por acaso, foram os carros que apresentaram melhor desempenho saindo da posição de grid.
A novata Audi, que assume a estrutura da Sauber, teve um início de trabalho bastante produtivo, conseguindo completar 711 voltas no total nos seis dias, o equivalente a 12 GPs. O brasileiro Gabriel Bortoleto foi o décimo mais rápido e elogiou o trabalho da equipe. “Completamos todos os planos que tínhamos traçado para cá e o carro quase não apresentou problemas”, resumiu Gabriel Bortoleto.
Os testes também tiveram críticas ao novo estilo de pilotagem exigido pelo carro da Fórmula 1, que depende de uma gestão muito eficaz de energia para entregar potência, às vezes sacrificando velocidade de curva. “Virou uma Fórmula E com esteroides”, comparou Max Verstappen.
O campeão Lando Norris não deixou barato e rebateu os comentários do rival: “Se ele não gosta das coisas como estão, pode se aposentar”.
Legenda: Charles Leclerc durante testes no Bahrein
Foto: Scuderia Ferrari

